Infecção por SARS-CoV-2 pode causar hipoparatiroidismo permanente: relato de caso com acompanhamento de dois anos e revisão de literatura
O vírus SARS-CoV-2 não apenas afeta o sistema respiratório, mas também pode ter efeitos na endocrinação. O objetivo deste artigo é discutir um caso clínico de uma mulher jovem chinesa que desenvolveu hipocalcemia grave logo após infecção pelo SARS-CoV-2 e seguiu seu caso de acompanhamento de dois anos.
Casos relatados de infecção por SARS-CoV-2 e problemas endocrínios.
A infecção por coronavirus 2 (SARS-CoV-2), responsável pela doenças COVID-19, não apenas atinge o sistema respiratório, como também tem sido associada a problemas endocrínios. A hipocalcemia (baixo nível de cálcio sanguíneo) é um dos problemas endocrínios mais comuns causados pela infecção, mas a falta de compensação adequada da hormônio paratiróideo (PTH) e seus resultados a longo prazo continuam mal caracterizados. Discutiremos aqui o caso de uma jovem chinês que desenvolveu hipocalcemia severa logo após infecção por SARS-CoV-2 e segue seu caso de acompanhamento dos dois anos.Relato de caso clínico de uma jovem chinesa com infecção por SARS-CoV-2 e hipoparatiroidismo permanente.
A paciente, uma jovem de 24 anos, foi internada em março de 2020 com sintomas de COVID-19 moderada.
O resultado inicial do sangue mostrou uma baixa quantidade de cálcio (cálcio sérico de 6,8 mg/dl)
com uma taxa de troca de cálcio no sangue (TTHC) baixa e um baixo índice de absorção intestinal (IA)
A paciente passou por uma série de testes de laboratório para diagnosticar sua condição, mas não apresentou nenhuma anomalia no teste de função paratiróidea (PTH). Após receber alta do hospital, a paciente foi atendida em uma clínica ambulatorial com sintomas persistentes de hipocalcemia, como espasmos musculares e falta de coordenação motora.
Um estudo de 2020 relatou um caso de uma jovem chinesa de 20 anos que desenvolveu síndrome de paratiroides ectópicas secundária a infecção por SARS-CoV-2.
A paciente relatou que havia desenvolvido febre e tosse após a exposição ao coronavírus e passou a apresentar sintomas de hipocalcemia, incluindo espasma muscular e falta de coordenação motora logo após a recuperação da infecção.
O exame de imagem e o teste de função paratiróidea (PTH) não mostraram anomalia.
Um segundo caso é referido em um estudo de 2022, de uma jovem chinesa de 19 anos com infecção por SARS-CoV-2, que apresentou hipocalcemia severa e foi diagnosticada com síndrome de paresia músculo-paratiróidea.
Além disso, a paciente relatou ter desenvolvido uma doença cardíaca (fibromatriosclerose e cardiomaquerma) pós-infeção por CoV-1.
A paciente foi tratada com cálcio e vitamina D para corrigir a hipocalcemia.
Durante o acompanhamento dos dois anos, a paciente persistiu com sintomas de hipocalcemia, mesmo após o tratamento adequado.
O resultado dos testes de função paratiróidea (PTH) permaneceu normal, enquanto a taxa de troca de cálcio no sangue (TTHC) e o índice de absorção intestinal (IA) continuaram baixos.
A paciente foi diagnosticada com hipoparatiroidismo permanente e está sob acompanhamento constante.